Dança do Dragão de Fogo de Tai Hang
Três noites
A Dança do Dragão de Fogo de Tai Hang ocupa três noites próximas ao Meio do Outono: o décimo quarto, o décimo quinto e o décimo sexto dias do oitavo mês lunar. A noite central é a do próprio festival. A celebração se desenvolveu na antiga aldeia hakka de Tai Hang, hoje parte da área urbana da ilha de Hong Kong, e continua como uma prece comunitária por paz e segurança.
A Associação de Bem-Estar dos Moradores de Tai Hang organiza a dança. Em 2026, sua sequência de três noites cai de 24 a 26 de setembro.
| Noite | Data lunar | Data gregoriana em 2026 |
|---|---|---|
| Primeira | Oitavo mês, dia 14 | 24 de setembro |
| Meio do Outono | Oitavo mês, dia 15 | 25 de setembro |
| Última | Oitavo mês, dia 16 | 26 de setembro |
Um rito de abertura no Lin Fa Kung, templo associado a Guanyin, precede o primeiro cortejo. O comandante faz preces em hakka antes de o dragão entrar nas ruas. Depois da última noite, a cerimônia de encerramento “Retorno do Dragão ao Céu” marca sua partida. Esse início e esse fim rituais enquadram as três noites de dança como uma única celebração comunitária.
O dragão
O fogo vem do incenso aceso inserido no dragão. Com aproximadamente 67 metros de comprimento, a figura é carregada por uma equipe de centenas de pessoas. Movê-la por ruas como a Wun Sha Street exige que os participantes coordenem cada curva. Os pontos brilhantes de incenso, a fumaça e a percussão tornam seu movimento visível e audível para além de quem está imediatamente ao lado.
Um novo dragão é construído para cada celebração anual. Seus materiais incluem ratã, corda, bambu, arame e “capim-pérola” seco. A cabeça e a cauda precisam de armações de apoio, enquanto o corpo deve permanecer flexível o suficiente para fazer curvas. Equipes separadas trabalham com a cabeça, o corpo, a cauda, as bolas que guiam o dragão, as lanternas e a música. Construção e apresentação estão estreitamente ligadas: os artesãos precisam produzir algo que possa ser erguido, virado e levado em dança pelo bairro.
As crianças participam do cortejo de lanternas que acompanha a dança. Um dragão menor iluminado por LEDs também oferece aos participantes mais jovens uma forma de aprender movimentos coordenados ao lado da dança principal. Esses papéis ligam os novos participantes à ocasião sem exigir que manejem o grande dragão coberto de incenso.
A história de fundação
A tradição local data a dança de 1880, quando uma epidemia teria atingido Tai Hang. Os moradores fizeram um dragão coberto de incenso e o levaram em cortejo durante três noites; depois disso, acreditou-se que a epidemia havia terminado. Uma versão oral mais completa inclui uma píton e um sonho em que Guanyin revela a solução. Essas histórias explicam o papel protetor do dragão na memória da comunidade.
A dança entrou na lista nacional chinesa de patrimônio cultural imaterial em 2011. Seu centro de patrimônio, no número 12 da School Street, ocupa um antigo edifício educacional e apresenta a dança ao lado da história hakka de Tai Hang. Assim, o evento anual tem um lugar aberto ao aprendizado de seu trabalho artesanal, ritual e vínculos com o bairro ao longo de todo o ano, para além das três noites em que o dragão percorre as ruas.