Mudanças de calendário nos períodos Qin e Han

As reformas dos calendários Qin e Han alteraram tanto o cálculo das datas quanto o momento em que um novo ano começava. Também vincularam a organização do tempo à autoridade dinástica. O governo do início da dinastia Han herdou as práticas Qin e, depois, estabeleceu uma nova estrutura por meio da reforma Taichu (太初历) de 104 a.C. Outras revisões ocorreram dentro da própria dinastia Han.

A herança Qin

Os Qin iniciavam o ano pelo décimo mês lunar, e o governo do início da dinastia Han conservou inicialmente essa organização. Assim, os meses numerados seguiam do mês 10 pelos meses 11 e 12, seguidos dos meses 1 a 9. A numeração dos meses e o momento em que mudava o número do ano eram convenções separadas.

A reforma do calendário também tinha significado político. Os Qin associavam seu governo à Água no sistema das cinco fases e adotaram o negro como cor oficial. Os debates Han sobre a posição da dinastia nessa sucessão ligavam o calendário, as cores cerimoniais e a legitimidade do governo. Mudar o limite do ano podia expressar o estabelecimento de uma nova ordem, mesmo enquanto grande parte do método de cálculo herdado continuava em uso.

O calendário precisava coordenar os meses lunares com o ano sazonal. Doze meses lunares são mais curtos que um ano sazonal, de modo que eram necessários meses adicionais de tempos em tempos. Os funcionários também precisavam de uma sequência de inícios de mês e de designações diárias para seus registros. Decidir quando começava o ano administrativo era apenas uma parte dessa tarefa maior.

A reforma Taichu

A reforma Taichu do imperador Wu, em 104 a.C., estabeleceu o mês 1, tradicionalmente associado ao início da primavera, como começo do ano. Taichu também se tornou o nome de uma nova era de reinado. A estrutura astronômica da reforma evoluiu para o sistema Santong associado a Liu Xin, cujos procedimentos sobrevivem no Hanshu, ou História dos Han Anteriores. Essa formulação posterior incorpora desenvolvimentos que vão além da reforma original.

O projeto reuniu diferentes tipos de conhecimento especializado. Tang Du trabalhou no estudo dos céus, Luoxia Hong realizou cálculos de calendário, e o método de Deng Ping foi escolhido após o exame de propostas concorrentes. Equipamentos de observação e comparações entre previsões e fenômenos celestes ajudaram a corte a decidir qual método autorizar.

Os cálculos precisavam de uma época: um ponto de partida definido a partir do qual se pudessem contar dias transcorridos e ciclos astronômicos. Alinhar uma Lua nova, um solstício de inverno e determinado dia cíclico em uma época ideal tinha apelo tanto simbólico quanto computacional. Os procedimentos resultantes precisavam conectar o ciclo sazonal do Sol, as fases da Lua e a contagem contínua dos dias.

A tradição Taichu–Santong usava um mês lunar médio de 29 dias mais 43/81 de dia, aproximadamente 29,530864 dias. A adição repetida desse intervalo médio fornecia uma sequência calculada de Luas novas. Eram Luas novas médias calculadas em intervalos uniformes. Métodos posteriores levaram em conta os movimentos irregulares do Sol e da Lua ao atribuir os inícios dos meses.

Uma estrutura de dezenove anos conciliava os ciclos lunar e sazonal. Dezenove anos comuns de doze meses contêm 228 meses. A adição de sete meses intercalares resulta em 235 meses lunares, próximos de dezenove anos sazonais. Esse ciclo fornecia um esquema prático de intercalação, embora nem todos os calendários posteriores tenham mantido um padrão fixo de dezenove anos.

A reforma Han continuou com o calendário Sifen dos Han Orientais, que entrou em uso oficial em 85 d.C. Seu nome, que significa “resto de um quarto”, refere-se ao componente de um quarto de dia na duração de seu ano.

Tradição de calendárioMês lunar médioDuração aproximada
Taichu–Santong29 + 43/81 dias29,530864 dias
Sifen dos Han Orientais27.759/940 dias29,530851 dias

O calendário Sifen usava um ano de 365¼ dias. Sua adoção revisou a relação numérica entre meses e anos, mantendo uma estrutura lunissolar. Mesmo pequenas diferenças em um intervalo médio podiam se acumular ao longo de cálculos repetidos.

Registros encontrados em escavações

Documentos em bambu e madeira preservam datas da atividade cotidiana da administração Qin e Han. Um registro datado pode combinar um ano de reinado, um mês lunar e um nome de dia do Ganzhi, ou ciclo de troncos e ramos. Alguns registros também informam o dia lunar numerado ou identificam um mês intercalar. Esses detalhes ajudam a reconstruir o calendário efetivamente usado no documento.

A combinação de um dia lunar numerado com seu nome cíclico permite uma verificação interna. Contar para trás no ciclo de sessenta dias fornece o nome do primeiro dia do mês. Datas de meses sucessivos podem então ajudar a estabelecer a duração dos meses. Como o ciclo se repete a cada sessenta dias, o nome de um dia, por si só, não pode determinar uma data absoluta.

Os registros encontrados em escavações também ajudam a testar os relatos sobre o calendário preservados no Shiji, ou Registros do Grande Historiador, e no Hanshu. Uma divergência pode decorrer de um caractere copiado, de uma leitura incerta ou de uma reconstrução incorreta dos inícios dos meses e dos meses intercalares. Por isso, nem sempre é possível recuperar um calendário antigo completo aplicando uma fórmula posterior ao passado. As designações originais de mês e dia continuam essenciais para a cronologia.

1–2100 d.C.

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