A adoção do calendário gregoriano e a continuidade das observâncias lunares na China
A mudança republicana
A República da China adotou a datação civil gregoriana, tendo 1º de janeiro de 1912 como primeiro dia de seu primeiro ano. Sun Zhongshan, amplamente conhecido em inglês como Sun Yat-sen, emitiu seu telegrama anunciando a mudança em 2 de janeiro. A reforma introduziu tanto um novo calendário civil quanto um novo sistema de numeração dos anos, começando pelo ano republicano 1.
A política inicial de publicação permitia que os dois calendários aparecessem juntos. Uma diretriz de janeiro de 1912 previa os dias da semana ao lado das datas gregorianas e os termos solares ao lado do calendário tradicional. Informações selecionadas sobre costumes podiam permanecer, enquanto as classificações auspiciosas e inauspiciosas e o material divinatório associado deveriam ser removidos. O governo estava mudando o conteúdo do conhecido almanaque, além da forma de escrever datas oficiais.
A datação dupla também ajudava as pessoas a usar o novo sistema. Uma circular de fevereiro de 1912 exigia que os documentos governamentais trouxessem tanto datas gregorianas quanto lunares. Os funcionários podiam introduzir o novo calendário civil e, ao mesmo tempo, tornar suas datas reconhecíveis para leitores acostumados ao antigo. A adoção como política de governo e a substituição na prática cotidiana eram processos separados.
Dois anos-novos e o uso cotidiano
O dia 1º de janeiro gregoriano estabelecia o limite do ano civil. O primeiro dia do mês lunar 1 continuava sendo o Ano-Novo Chinês tradicional, celebrado como Festival da Primavera. O Festival das Lanternas permanecia no dia 15 do mês lunar 1, e o Festival do Meio do Outono, no dia 15 do mês lunar 8. Suas datas gregorianas mudam de ano para ano porque seguem os meses lunares.
Para os reformadores republicanos, o calendário fazia parte de um esforço mais amplo de reorganização da vida pública. Um calendário civil comum podia coordenar os assuntos governamentais, as escolas, os registros comerciais e as comemorações públicas. Transferir as festas tradicionais para datas gregorianas, porém, afetava padrões estabelecidos de reunião familiar, culto e celebração sazonal. Mudar a data escrita em um documento era mais fácil do que substituir a sequência anual em torno da qual as famílias organizavam essas atividades.
A política nacionalista tornou-se mais restritiva em 1929. Uma ordem de julho proibiu a continuidade da publicação de calendários gregorianos e lunares paralelos a partir de 1930. Uma ordem de outubro exigiu que contas comerciais, contratos e outros documentos civis e comerciais usassem a datação gregoriana republicana, sem datas lunares adicionais. Essas medidas visavam às editoras e às práticas documentais, além do uso público do calendário antigo.
Ainda assim, as festas tradicionais continuaram a ser observadas. A coexistência dos calendários oferecia uma organização prática: as datas gregorianas organizavam as agendas oficiais e de trabalho, enquanto as datas lunares localizavam os festivais e as observâncias familiares. Calendários impressos podiam colocar uma data civil em tamanho grande ao lado de uma data lunar menor, permitindo aos leitores passar de um uso ao outro na mesma página.
A estrutura do calendário tradicional também ajudou a preservar sua função sazonal. Ele era lunissolar, com meses intercalares que mantinham os meses lunares alinhados ao ano sazonal. Portanto, conservar as datas lunares dos festivais não significava permitir que essas festas se deslocassem indefinidamente por todas as quatro estações.
Numeração dos anos e datas dos meses
Mudar o número do ano é diferente de mudar o cálculo de seus meses. A numeração republicana dos anos, ou Minguo, começa com 1912 como ano 1. Para um número de ano republicano positivo, some 1911 para obter o ano gregoriano correspondente.
| Ano republicano | Ano gregoriano | Cálculo |
|---|---|---|
| Minguo 1 | 1912 | 1 + 1911 |
| Minguo 18 | 1929 | 18 + 1911 |
| Minguo 38 | 1949 | 38 + 1911 |
| Minguo 115 | 2026 | 115 + 1911 |
Essas são correspondências entre anos, não conversões de meses e dias lunares. Uma data gregoriana republicana oficial usa as durações dos meses gregorianos e 1º de janeiro como limite do ano. Um registro familiar informal pode usar uma designação de ano republicano com um mês e dia lunares. Nesse caso, a data lunar ainda precisa ser convertida, e um mês do final do ano lunar pode se estender para o ano gregoriano seguinte. Expressões como “calendário antigo”, datas correspondentes e o contexto do documento ajudam a identificar o sistema pretendido.
Em setembro de 1949, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês adotou a numeração dos anos da Era Comum para a República Popular, especificando que o ano corrente era 1949. Isso substituiu a numeração republicana dos anos na datação oficial daquele Estado. As durações dos meses gregorianos e o limite do ano civil em 1º de janeiro já haviam sido introduzidos em 1912.